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OS “TRÊS M’S”: MÚSCULOS, MALFORMAÇÃO E MALOCLUSÃO

Fonte: AJO-DO 1963 Jun (418-450): Os “Três M’s”: Músculos, Malformação e Maloclusão - Graber.

“Uma análise foi realizada nos músculos e no seu relacionamento com a configuração estrutural em maloclusões de Classe I, II e III. O efeito das forças musculares é tri-dimensional, embora a maioria dos ortodontistas a considere somente em um vetor - o da expansão. Sempre que houver um conflito entre osso e músculo, o osso cede. A função muscular pode se adaptar ao padrão morfogenético. Uma mudança na função muscular pode iniciar uma variação morfológica na configuração normal dos dentes e dos ossos de suporte, ou pode potencializar uma maloclusão já existente. Mais tarde, o mau relacionamento estrutural existente pede por uma atividade muscular compensatória ou adaptativa para realizar as funções diárias. A anormalidade estrutural é aumentada pela atividade muscular compensatória para uma extensão onde o equilíbrio é obtido entre padrão, ambiente e fisiologia. Às vezes, é impossível assinalar um papel de causa e efeito específico de qualquer um dos fatores. É imperativo que o ortodontista leve em conta a atividade muscular e que conduza sua terapia ortodôntica de tal maneira que o resultado final reflita um equilíbrio entre as mudanças estruturais obtidas e as forças funcionais agindo sobre os dentes e tecidos adjacentes naquele instante”.

Dante Bresolin, DDD, MSD, Peter A. Shapiro, DDS, MSD, Gail G. Shapiro, MD et al. AMJ-DO 1983.

“Enquanto existem muitas alegações de que padrões respiratórios anormais alteram o crescimento facial, existem dados de controle muito limitados para confirmar isso. Nós avaliamos quarenta e cinco Caucasianos Norte Americanos de ambos os sexos, variando entre 6-12 anos. Trinta respiradores bucais alérgicos crônicos foram selecionados da pediatria alérgica e quinze respiradores nasais sem alergia foram selecionados da pediatria geral. Cada um foi submetido a um exame clínico intra-oral e a análise radiográfica cefalométrica. Muitas das relações dentais e esqueléticas foram avaliadas a procura de diferenças estatísticas relacionadas aos padrão respiratório e a idade. O comprimento facial ântero-superior e o comprimento facial anterior total foram significativamente maiores nos respiradores bucais. Os relacionamentos angulares sela-nasal, palatal e os planos oclusais em relação ao plano mandibular foram maiores nos respiradores bucais e seus ângulos goniais também foram maiores. A maxila e mandíbula dos respiradores bucais foram mais retrognatas. O comprimento palatino e o overjet foram maiores nos respiradores bucais. O comprimento intermolar nos maxilares foi mais estreito nos respiradores bucais e foi associada com uma maior prevalência de mordida cruzada posterior. No total, respiradores bucais apresentaram faces mais longas com a maxila mais estreita e mandíbula retrognata. Isto apóia suposições anteriores que a obstrução da via nasal é associada com crescimento facial aberrante. Estudos longitudinais são necessários para avaliar a efetividade da intervenção precoce na prevenção destas alterações de crescimento”.

Alan M. Gross, PhD, Gloria Kellum, PhD, AJO-DO 1994 106:635-40

“Foi observado que crianças com postura de mordida aberta apresentaram um padrão de crescimento maxilar significativamente mais lento comparado com as crianças que apresentavam selamento labial”.

C. T. Nevant, P.H. Buschang, R. G. Alexander and J. M. Steffen, AJO-DO 1991 100:330-6

“Bumpers labiais foram utilizados para aumentar o comprimento do arco para alinhar arcos dentais apinhados em grau leve a moderado. As alterações dentais produzidas podem ser atribuídas à remoção da pressão do lábio na dentição ântero-inferior...”

Donald G. Woodside, Sten Linder-Aronson, Andres Londstrom and John McWilliam. AJO-DO 1991 100:1-18

“A quantidade de crescimento maxilar e mandibular e a direção do crescimento maxilar foram estudados em 38 crianças durante os primeiros 5 anos após adenoidectomia para correção de obstrução nasofaringeal severa. A quantidade de crescimento mandibular mensurada entre pontos gnáticos sucessivos em radiografias sobrepostas foi significativamente maior no grupo que realizou adenoidectomia do que no grupo controle.

Nos meninos a diferença foi de 3,8mm (p < 0,01) e nas meninas a diferença foi de 2,5mm (p < 0,01). Os meninos também mostraram uma tendência a crescimento maior na maxila como mensurada nos pontos subnasais. (1,2mm P < 0,05).

Linder-Aronson demonstraram graus variáveis de recuperação dos ângulos excessivos do plano mandibular, arcos maxilares mais estreitos e maxilares retroinclinados e incisivos mandibulares durante os 5 primeiros anos após adenoidectomia e mudança de respirador bucal para nasal”.

Ram S. Nanda, DDS, MS, PhD, e Surender K. Nanda, DDS, MS. AJO-DO April 1992.

“A questão da contenção em longo prazo e da estabilidade da oclusão após o tratamento ortodôntico sempre atraiu a atenção dos especialistas. As melhoras obtidas por tratamentos longos e dolorosos podem ser perdidas em diferentes graus após os aparelhos serem removidos. Algumas vezes a recidiva da posição dental é notada mesmo durante o período em que o paciente está usando os aparelhos para contenção. A pergunta freqüentemente feita pelos pacientes é: por quanto tempo a contenção ativa com aparelhos deve ser mantida?

Estudos recentes de avaliação de resultados pós-ortodônticos em longo prazo indicaram que a recidiva ocorre na maioria dos casos. Os tratamentos ortodônticos relacionados com ou sem extrações alcançaram a mesma taxa de sucesso. Nenhuma variável foi achada que pudesse indicar a recidiva ou a estabilidade. A ortodontia contemporânea não possui uma solução satisfatória para o problema da obtenção da estabilidade em longo prazo?

O debate sobre extrair ou não extrair como abordagens de tratamento ortodôntico foi amplamente discutido neste século. O problema da estabilidade em longo prazo do resultado da correção nunca foi satisfatoriamente resolvido. Talvez muitos fatores adicionais possam ter um papel importante na estabilidade ortodôntica”.

P:- Qual a força necessária para movimentar um dente anterior?

R: “Somente 1,7gm de pressão labial acima dos valores de descanso é necessária para movimentar os dentes”.¹

P: Qual a força exercida pelo lábio?

R: “A pressão labial exercida contra o lip bumper foi estimada como variando entre 100gm e 300gm”.²

P: Qual a força capaz de ser exercida pela língua?

R: “A maioria das pessoas adota um padrão de deglutição na qual a ponta da língua é colocada à área rugosa e a pressão de aproximadamente 100gm por cm² é exercida para cima e para trás. Nos casos de deglutição atípica uma força de 500mg pode ser exercida contra os dentes anteriores”.³

P: Quais são as forças sobre a oclusão durante a deglutição?

R: “Gibbs encontrou forças durante a deglutição chegando a 66,5 libras que são substancialmente maiores que as 58,7 libras durante a mastigação”.4

REFERÊNCIAS

1.      Weinstein S. – AJO-DO 1967 53:881-903.

2.      Sakuda M. Ishizwa M. - J. Dent Res 1970 49:677

3.      Profit W.R. - Arch Oral Biol 1972 17:555-63

4.      Gibbs C.H, Mahan PE Brehnan K - J Pros Dent. 1981.