Introdução
 

Na Europa, o conceito do uso de aparelhos funcionais para redirecionar o crescimento em conjunto com a expansão do arco tem sido uma escolha popular para o tratamento da maioria das maloclusões durante as últimas décadas. A correção de maloclusões do tipo Classe II seria difícil sem o uso destes aparelhos. Uma popularização maior desta técnica, especialmente na América do Norte, foi limitada pelas desvantagens inerentes e pelas críticas aos chamados aparelhos funcionais. Também houve um movimento na Europa para a adoção somente do sistema fixo.

As vantagens dos aparelhos funcionais são o tratamento precoce da maloclusão e os efeitos ortopédicos no osso permitindo a correção de maloclusões de origem esquelética, o que não é possível com aparelhos dentários fixos.

As desvantagens gerais são a falta de possibilidade de alinhamento dental, além de uma fabricação complexa e de alto custo. Quanto mais os aparelhos são desenvolvidos para melhorar o seu desempenho, mais suscetíveis eles se tornam a quebras ou ao mau uso. Além disso, apesar de seu nome, poucos aparelhos funcionais possuem efeitos significativos sobre os tecidos moles. Por exemplo, correção da interposição lingual, deglutição atípica, hábitos orais e respiração bucal, todas estas funções têm demonstrado terem grande influência no crescimento e alinhamento dental1,5,6,7,8.

Tempo de tratamento prolongado

Mais recentemente tem-se tido a tendência de se combinar um sistema de duas fases para obter-se o melhor dos aparelhos funcionais e fixos, reconhecendo as deficiências de ambos os sistemas usados separadamente. Isto significa o uso por 1-2 anos do aparelho funcional e então (por serem deficientes no alinhamento dental), o uso de aparelhos fixos, por outros 1-2 anos, mais a contenção. O tratamento ortodôntico, portanto, pode se estender por 4 ou mais anos. Crianças, pais e ortodontistas preferem um tempo de tratamento mais curto e tendem a querer pular a fase funcional e se concentrar somente no alinhamento dental efetivo por praticidade. Estas desvantagens têm levado a uma ampla tendência, particularmente na América do Norte, do uso somente de aparelhos fixos na dentição permanente e, ignorar as vantagens de um tratamento em duas fases, uma funcional e outra fixa. Esta tendência também se tornou a norma na maior parte do Oeste Europeu.

Tratando mais do que o alinhamento dental

Na edição de Junho do American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics (Vol. 113, No. 6) estão publicados artigos sobre os efeitos dos tecidos moles sobre a Ortodontia, o impacto da restrição respiratória no crescimento, disfunções de ATM em casos tratados ortodonticamente e recidivas, além de uma revisão dos efeitos dos aparelhos funcionais. Parecia haver um debate saudável entre os ortodontistas se a atual corrente de tratamento “exclusivamente fixo” estava obtendo o resultado adequado em longo prazo.

Esta edição isolada indicaria um aviso continuado de que há a necessidade de olharmos os planos de tratamento com mais atenção. Tratar a musculatura oral, o mau posicionamento da língua e sua disfunção1. O modo correto de respirar2. Remover alguns dos fatores recidivantes potenciais ao invés de usar contenção permanente1,4. Tratar os distúrbios de ATM conforme eles se desenvolvem durante o tratamento ortodôntico3. (veja o painel em separado para os resumos)

A necessidade de um sistema de aparelhos fixo e funcional combinados

O TRAINER PARA BRAQUETES (T4B) foi desenvolvido a partir da necessidade de auxiliar no tratamento dos tecidos moles, posição da língua e problemas potenciais de ATM. Como um bônus adicional, ele cobre os braquetes e as bandas, evitando a maioria das irritações causadas aos tecidos adjacentes. Ele não tem o objetivo de substituir a fase do aparelho funcional, mas permite um tratamento “tipo funcional” em combinação com os aparelhos fixos. O T4B possui também características especiais de design para o “treinamento miofuncional”.

O TRAINER PARA BRAQUETES é um aparelho funcional pré-fabricado em tamanho único que apresenta canais para se adaptar sobre os braquetes ortodônticos fornecendo proteção aos tecidos moles e fornecendo treinamento miofuncional específico. Também age como um aparelho funcional na correção de Classe II e como uma contenção rígida para ATM.

Tratando fatores musculares, posição da língua e função1,5,6

O T4B possui um suporte lingual para o retreinamento ativo da posição da língua. A ponta da língua é “treinada” para ficar na posição correta. O suporte lingual impede a interposição lingual quando em posição. Isto elimina forças deletérias sobre a dentição que podem retardar o tratamento. Os bumpers labiais estão presentes para relaxar a musculatura mentoniana impedindo a hábito de deglutição atípica que é responsável pelo apinhamento ântero-inferior e pelo subdesenvolvimento mandibular8.

Um aparelho funcional

O T4B é feito em uma posição de Classe I topo a topo tornando-o efetivo na correção de Classe II. Além disso, o protetor bucal duplo impede a respiração bucal num efeito semelhante a um anteparo oral. A correção da respiração bucal2,9 é um dos fatores mais importantes na manutenção da expansão maxilar que pode ser perdida no estágio da ortodontia fixa. A expansão maxilar é freqüentemente criticada pela falta de estabilidade. Alguns ortodontistas nunca consideram a expansão por causa se seu possível fator recidivante. A língua é capaz de exercer forças de 300-500gm11 contra o palato. Na posição correta isto torna possível a manutenção da largura do maxilar enquanto o alinhamento dental é realizado. Após a expansão maxilar, uma correção no modo de respiração e na posição de repouso da língua é o objetivo do T4B por esta razão.

A importância da correção dos hábitos miofuncionais em conjunto com o alinhamento dental

Desde os tempos de Edward Angle em 1907, muitas publicações na literatura Ortodôntica indicam o efeito importante dos tecidos moles na influência tanto da posição dental como do crescimento craniofacial.

“...mais freqüentemente do que são reconhecidas, as particularidades da função do lábio podem ser a causa que força os dentes à posição errada que eles ocupam”.

Dr. E. H. Angle - O Tratamento da Maloclusão dos Dentes

Edição 7. Capítulo 2. Filadélfia: 1907.

“O efeito das forças musculares é tri-dimensional, embora a maioria dos ortodontistas considere apenas um vetor - o da expansão. Sempre que existe um conflito entre músculo e osso, o osso cede”.