Expectativa, Seleção e Motivação
 

Você está a caminho de aumentar o número de pacientes que trata com sucesso e ganhar experiência com o tratamento precoce, a correção de hábitos, o alinhamento cosmético e o tratamento da ATM. Este manual tem como objetivo fornecer-lhe informações sobre a utilização dos aparelhos dos Sistemas Trainer, Myobrace e TMJ com relação à expectativa ao tratamento e a seleção e motivação do paciente.
As informações contidas neste manual são genéricas e, como qualquer processo de diagnóstico e tratamento, devem ser analisadas pelo profissional junto ao seu paciente. Esperamos estar contribuindo para o sucesso do seu tratamento e que você se torne um usuário freqüente dos Sistemas da MRC.

 
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1 - Expectativa do Profissional
 

Os conceitos básicos utilizados pela Myofunctional Research (MRC) para desenvolvimento dos aparelhos estão relacionados à obtenção dos seguintes resultados:

 
  • Correção dos hábitos miofuncionais
  • Redução da necessidade de extrações
  • Um pouco de expansão
  • Um tratamento simplificado com braquetes
O foco de atenção dos aparelhos do Sistema Trainer é corrigir as disfunções do tecido mole. A melhora da oclusão é um bônus que você recebe. Para o ortodontista, o interesse está em conseguir resultados melhores no tratamento da maloclusão. Já para os demais profissionais, o interesse está em conseguir uma face mais bem desenvolvida. Ambos objetivos serão alcançados a partir da correção muscular, proposta pelos aparelhos da linha.

Ao utilizar o Trainer esperando que ele resolva completamente a maloclusão, você poderá não ter suas expectativas atingidas e, conseqüentemente, parar de usar o aparelho. Então, isso deve estar claro antes de começar a utilização, pois interfere na seleção do paciente.

Após uma pesquisa por e-mail com relação aos objetivos dos profissionais que compraram o Trainer T4K, observamos os seguintes resultados:
 
 
17% comprou para corrigir Hábitos
 
17% comprou para corrigir Maloclusões
 
66% comprou para corrigir Hábitos e Maloclusões
 
Ou seja, 83% dos profissionais que compraram o Trainer T4K tinham expectativa de corrigir a maloclusão.

A expectativa correta deve ser: corrigir os Hábitos e melhorar a Maloclusão. A diferença é sucinta e deve estar bem clara e compreendida.

Não estamos dizendo que o Sistema Trainer não corrigem a maloclusão. Os Trainers melhoram a maloclusão e este fato é comprovado por pesquisas científicas nas seguintes proporções:
 

Problemas transversais - Desenvolvimento transversal:

  • Expectativa de melhora em 75% dos casos
  • Incremento médio de 1,5 mm/ano

Problemas Sagitais – Overjet:

  • Expectativa de melhora em 80% dos casos
  • Incremento médio de 2,0 mm/ano

Problemas verticais:

  • Sobre-mordida (overbite): Expectativa de melhora em 85% dos casos
  • Mordida profunda (deep bite): Incremento médio de 2,0 mm/ano
  • Mordida aberta (open bite): Incremento médio de 2,7 mm/ano

O detalhe que irá definir o seu grau de sucesso é a questão Expectativa X Realidade. Se você espera corrigir os hábitos e melhorar a maloclusão, o Trainer atingirá quase 100% das expectativas. Se a expectativa for corrigir a maloclusão, o Trainer atingirá entre 75% a 85% das expectativas, se o paciente for bem selecionado. Mas esse é outro assunto que vamos detalhar abaixo.

 
2 - Seleção do paciente
 
Como qualquer outro tratamento com aparelhos removíveis, a seleção de pacientes deve ser criteriosa considerando como premissa básica a motivação e a organização do paciente para este tipo de tratamento.

O paciente é organizado? Arruma a pasta para escola? Faz o dever de casa?

Estas perguntas simples dão uma idéia do grau de organização da criança e do possível comprometimento com o tratamento. Uma anamnese completa possibilita identificar comportamentos que podem facilitar ou dificultar o tratamento. Se o paciente não for organizado, ele não é um bom caso para aparelhos removíveis. Não só o Trainer, mas nenhum outro aparelho removível será indicado.

Dentre todos os aparelhos removíveis disponíveis, o Trainer é o que atinge o maior nível de colaboração devido ao seu design, ao material de que é feito e à forma como o uso é indicado. Por isso, se o paciente não quiser usar o Trainer, dificilmente terá sucesso com qualquer outro aparelho removível. Nestes casos, o mais indicado é utilizar uma aparatologia fixa no tratamento.

Os principais itens que devem ser observados para selecionar um paciente ideal para o uso de aparelhos removíveis são:

  • O paciente quer melhorar a situação atual e está buscando um tratamento.
  • O paciente tem a motivação, a organização e a responsabilidade necessárias para usar um aparelho móvel.

As contra-indicações, indicadas abaixo, também devem ser observadas:

  • Completa obstrução nasal
  • Mordida cruzada posterior
  • Classe III moderada ou severa
  • Principal contra-indicação: paciente desmotivado
2.1 - Por que não usar o aparelho no próprio filho
 
Um caso muito comum de insucesso é o de “testar” o aparelho no próprio filho. Esse é o pior paciente que você pode escolher para realizar seu primeiro tratamento com o Sistema Trainer e isso geralmente resultará em pouco sucesso, privando-lhe da confiança necessária à técnica. Veja o que ocorre nesses casos:
  • Seu filho sabe que não tem obrigação de utilizar o aparelho, pois você não está “pagando” o tratamento.
  • A criança pode utilizar o aparelho como objeto de negociação: se você não faz sua vontade, ele não usa o aparelho de “birra”. Apesar de esta ser uma situação comum quando qualquer paciente-criança não quer ser tratada, no caso do paciente ser seu filho esta situação se agrava.
  • Pelo simples fato de não confiar no aparelho, por não passar a segurança necessária ao tratamento, você não lida com seu filho como um pai (não dentista) em tratamento.
  • Qualquer desculpa que seu filho dê para não usar o aparelho será vista como culpa do aparelho e não do comportamento da criança. Lembre-se que se o paciente está sendo obrigado a usar e ele usará isto contra você.
  • Um fator importante para qualquer tipo de tratamento é o paciente querer ser tratado. Se você obriga seu filho a usar para “testar” o aparelho dificilmente terá sucesso porque não terá a cooperação necessária.
2.2 - Seu primeiro paciente deverá ser uma criança bem motivada
 
É melhor iniciar a utilização com casos simples e pacientes e pais motivados. Desta forma, você jamais esquecerá dos resultados.

Para o primeiro caso, comece com o T4K se a criança está no estágio de dentição mista com sinais de desenvolvimento de maloclusão. Os critérios que você pode utilizar para seleção de casos indicados para iniciar são os seguintes:
  • apinhamento moderado
  • mordida aberta
  • postura bucal incorreta
  • interposição lingual
  • deglutição atípica
  • maxila atrésica
  • Classe II Divisão 1

Com relação à motivação inicial do paciente e seus pais, você pode utilizar as informações relacionadas abaixo para facilitar a seleção. O que geralmente ocorre?

  • O filho mais velho apresenta melhores respostas em relação aos irmãos mais novos da mesma família.
  • Bons alunos ou crianças que se saem bem em esportes ou instrumentos musicais - que exigem de iniciativa ou trabalho individuais, tais como natação, tênis, ginástica, piano, violino ou dança - são muito bem sucedidos.
  • Crianças mais jovens – 7 a 9 anos – são melhores pacientes que as mais velhas – 11 a 12 anos.
  • Crianças de antecedentes com situação econômica menos favorecida são, freqüentemente, mais motivadas que crianças abastadas ou mimadas.
  • Crianças que são mais determinadas em relação a seus objetivos são pacientes melhores que as que resistem ao controle dos pais ou metas individuais.
3 - Motivação do Paciente - Passo a Passo para o Sucesso
 
Os Sistemas Trainer, Myobrace e TMJ podem aumentar seu número de pacientes e lucros por proporcionar um tratamento mais abrangente. Assim, o sucesso é fundamental para que seus pacientes possam divulgar seu nome para os amigos.

A MRC garante que está disponibilizando o que há de mais efetivo em relação à correção miofuncional. Cabe a você vencer o desafio: motivar o paciente. Apesar deste desafio estar presente em qualquer tratamento e atividade que exercemos diariamente, gostaríamos de compartilhar algumas sugestões e dicas específicas que consideramos importantes para aumentar ainda mais seus resultados e lucros.

Resultados positivos com o aparelho estão diretamente associados ao nível de cooperação que você é capaz de obter do paciente. Através da utilização destas simples ações, vários profissionais têm conseguido reduzir seus índices de desistência durante o tratamento.

Pelo fato dos pacientes adultos serem mais motivados, vamos concentrar nossas dicas no tratamento das crianças.
 
3.1 - Antes de iniciar o tratamento
 
Uma boa técnica promocional e motivacional é manter o vídeo do Sistema Trainer ou as informações do CD-ROM, DVD ou brochura em exibição na sala de espera. Isto vai apresentar o conceito para muitos pais interessados e estimula-los a perguntar sobre a técnica, e não o contrário, quando você tem que tentar convencer a mãe sobre o uso do aparelho.

Também se constatou que um vídeo de treinamento para instruir apropriadamente o paciente e seus pais, quando a criança inicia o tratamento com o Trainer, irá aumentar o entusiasmo e motivação em prol do sucesso e na indicação de outros pacientes.

Os profissionais mais bem sucedidos também disponibilizam folhetos e cartazes na sala de espera. Este material freqüentemente será dado a amigos e parentes, e será útil por trazer ao seu consultório muitos pacientes novos para o tratamento com o Trainer. Coloque seu nome, endereço e telefone na contracapa dos folhetos. Além disso, a cada novo caso bem sucedido que deixa seu consultório, geralmente você tem entre 3 e 10 indicações desta família.

Toda sua equipe deve estar motivada. Para obter isso com maior facilidade, você pode conceder bônus ou recompensas aos funcionários que conseguirem pacientes com bons resultados no uso do aparelho. Ao contratar funcionários, é importante lembrar que pessoas motivadas irão beneficiar-lhe não apenas por atrair e manter pacientes, mas também por criar novas idéias motivacionais, aumentando o interesse dos pacientes.
 
3.2 - Iniciando o Tratamento
 
No momento da consulta, quando o aparelho Trainer for apresentado ao paciente e à família, a criança deve ser capaz de decidir por si mesma se gostaria de ter o tratamento. Os pais tendem a decidir pela criança a respeito do assunto ou inventar desculpas, mesmo antes dela começar a usar o aparelho, mas isto deve ser evitado. A concordância da mãe em relação ao tratamento é vital para o sucesso e qualquer resistência dela ou da criança deve ser analisada antes de se iniciar o tratamento.

Sua própria confiança no possível sucesso do procedimento influencia a reação do paciente e de seus pais, mais do que se pode imaginar. Por isso, por mais que você esteja usando pela primeira vez o Sistema Trainer, não deixe transparecer sua insegurança para o paciente.

No dia seguinte ao que o paciente levou o aparelho para casa, um telefonema deve ser dado pelo responsável pela motivação do paciente (caso a auxiliar seja uma pessoa simpática, um telefonema feito por ela, diretamente ao paciente, causará um grande impacto sobre a criança). Esse deve perguntar à criança se ela usou o aparelho de forma apropriada. Caso isso não tenha ocorrido, uma consulta deve ser marcada para um breve exame (5 minutos). Este encontro permitirá reforçar o acordo e a criança saberá que o consultório a estará observando. Insista para que a mãe acompanhe a criança e faça com que assistam ao vídeo novamente.

A primeira visita de verificação deve ser feita 15 dias após o início do tratamento. Alguns profissionais preferem fazer na semana seguinte. Após a primeira visita, constatando que a criança está utilizando o aparelho, recomenda-se que as visitas seguintes ocorram a cada 3-4 semanas, pelo menos durante os 6 primeiros meses. Após este período, podem ser mais espaçadas, caso seja de seu interesse. Muitos profissionais preferem ver o paciente com uma freqüência maior do que uma vez por mês até se certificarem do grau de cooperação. Isto é uma boa medida.

Os pais devem monitorar a criança ao final de cada dia, conferindo se o aparelho foi utilizado no mínimo o tempo indicado pelo profissional.
 
3.3 - Durante o tratamento
 
A cada visita deve ser feita uma rotina de verificação envolvendo os seguintes tópicos, entre outros:
  • Avaliação do desenvolvimento do tratamento - mostre melhoras visuais, comparando com o status inicial.
  • Registro da evolução do tratamento - sempre que possível, procure fazer fotografias.
  • Avaliação do comprometimento do paciente no tratamento em relação ao tempo de uso indicado - motivação do paciente para uso.

As fotos são um excelente recurso para usar com o paciente. Durante as visitas, compare, sempre que possível, as fotografias iniciais com as atuais. Mostre para o paciente a melhoria já atingida e o que ele ganhará continuando com o uso do aparelho. Além disso, procure fazer as medidas para avaliar o desenvolvimento do tratamento.

Alguns profissionais têm relatado sucesso considerável ao filmar o tratamento progressivo de cada paciente. O vídeo é apresentado para novos pacientes e seus pais, como uma ferramenta motivacional e de vendas. Caso um vídeo não seja possível, modelos e fotografias de casos anteriores também podem ser interessantes. Fotos de casos concluídos estão disponíveis em nosso site, caso no início você não tenha os seus.

Por ser um aparelho confortável e pela exigência de uso ser de, no mínimo, 1 a 2 horas por dia (mais o período durante o sono da noite), oriente o paciente e pais a utilizar o aparelho nas horas em que estiver fazendo o dever de casa, estudando, navegando na internet, jogando vídeo game, assistindo televisão, lendo o jornal, revistas ou livros ou usando o computador.

 
3.4 - Permita à criança que veja seu próprio sucesso
 

O progresso, freqüentemente observado após poucas semanas, deve ser mostrado para a mãe e para a criança com um conjunto de modelos de estudo e fotografias iniciais. Uma estimativa da quantidade de correção que foi obtida e uma projeção do tempo que resta para correção pode ser feita, e freqüentemente, pode-se pedir para a própria criança que estime o tempo restante de correção. Quando isto é feito, aumenta o grau de motivação.

 
3.5 - Motivação do Paciente
 
É necessário que você e sua equipe motivem o paciente com entusiasmo. Na maioria dos casos, a medida do entusiasmo que vocês emanam determinará o grau de envolvimento do paciente no caso. O site www.trainer.com.br foi desenvolvido especificamente para ajudar a motivar o paciente. Use-o como ferramenta de auxílio.
Motivar com prêmios é uma prática muito bem sucedida. O prêmio pode ser uma boneca, um CD de músicas, um vale-presente ou mesmo dinheiro. A criança ganhará se apresentar bons resultados e você pode simplesmente adicionar o custo à conta do tratamento. Outra sugestão é dar um presente a cada vez que uma certa percentagem da correção for atingida, por exemplo, para cada milímetro de melhora.
O cupom para cada “ação correta” também pode gerar bons resultados. Se a criança escova bem os dentes, ou se usa o Trainer apropriadamente, ou se... ela ganha um cupom para concorrer ao sorteio de um presente por mês. Você pode sortear um bicho de pelúcia ou outro item que considere conveniente. Este presente pode ficar na sala de espera, motivando e comunicando seus clientes da iniciativa. Esta estratégia pode ser utilizada inclusive para melhorar o rendimento no seu consultório. Se oferecer um cupom para a criança que não desmarca a consulta e chega no horário correto, você está aumentando seu rendimento. Descubra outras oportunidades de melhoria e explore-as a seu favor.
Outra interessante idéia para motivação é permitir que a criança assista à TV, jogue videogame ou navegue na internet apenas enquanto estiver usando o aparelho. Uma criança fica em média 3 a 4 horas por dia envolvida com estas atividades.
Cuidados com a higiene do aparelho também fazem parte da motivação. O aparelho deve ser limpo diariamente com água corrente e levemente com escova e pasta de dente. Deve-se guardar o Trainer no caixa somente depois de ter secado, que pode ser ao ar livre. Indicamos a utilização de produtos específicos para se obter o máximo de limpeza. Estes produtos também valorizam a consulta e diferenciam-no dos demais.
 
3.6 - Se a motivação não funcionar...
 
Ao observar que o paciente não está usando o aparelho, deve-se conversar a sós com a criança, perguntando por que ela não o usou da forma solicitada. Diga à criança que ela tem mais um mês para cooperar, ou terá que assinar um termo de desistência do tratamento. O termo irá afirmar que a criança tem que aceitar seus dentes feios e não poderá retornar para reclamar desses dentes. Esta é uma tentativa final de motivação e se mostrou bem sucedida em muitos casos.

Recomendamos que seja cobrada uma taxa, previamente combinada, pelo seu tempo de trabalho, prontuário e aparelho. Esta taxa deve ser de pelo menos 25% a 50% do valor total e deve representar uma perda significativa aos pais quando a criança falha. Isto aumenta o interesse e motivação dos pais. Desta forma, a pressão da falha é removida dos seus ombros para os do paciente e seus pais. Isto elimina falhas e facilita o sucesso, que também auxiliará a trazer pacientes por recomendação.

Sempre coloque uma declaração em seu contrato de tratamento, ou ao termo de consentimento, que diga, “Caso seu filho não utilize o aparelho Trainer de modo satisfatório ou não responda adequadamente à terapêutica a fim de obter progresso suficiente, nós nos reservamos o direito de descontinuar o tratamento dentro de 3 meses, com uma taxa a ser cobrada por este período de observação e registros de R$ xx”.

E, finalmente, caso você tenha procedimentos motivacionais que tenham sido particularmente úteis, divida-os conosco, para que possam ser transmitidos a outros profissionais.
 
4. Informações e Dicas Importantes
 
4.1 - Sobre a troca do Aparelho
 

Nunca use o mesmo Trainer por mais de 6 meses. A troca, nem que seja pelo mesmo aparelho, é aconselhável. Isto porque, com o tempo, a saliva age sobre o aparelho causando perda de elasticidade.
Alguns casos de pouca higiene do paciente também geram como motivo de troca a apresentação visual do aparelho.
Você deve deixar isto claro no início do tratamento e cobrar taxa extra a cada troca de aparelho.

 
4.2 - Até quando usar o Trainer?
 
Até o momento que todos os músculos estiverem funcionando corretamente e os hábitos corrigidos.
Se a maloclusão não estiver totalmente corrigida, você pode finalizar o caso com o Sistema Myobrace ou com outra técnica ortodôntica.
 
4.3 - Sistema TMJ x Estímulo a mastigação
 

Algumas vezes, profissionais referem-se à placa miorelaxante como um problema devido a esta gerar um estímulo a mastigação. Isto somente acontece porque a placa miorelaxante é fina, pouco espessa.

O fato do splint oclusal do aparelho TMJ ser mais espesso e em formato de aerofólio faz com que a mandíbula seja mais avançada, mantendo-se em topo-a-topo, dando suporte oclusal a todos os dentes (formato de aerofólio).

Estas duas características resultam em uma situação onde não há estímulo a mastigação, diferentemente do caso das placas miorelaxantes tradicionais. Os aparelhos do Sistema TMJ relaxam a musculatura sem estimular a mastigação.

O aparelho TMJ foi desenvolvido para ser usado por um curto período de tempo, não durante toda a vida. O tempo correto de uso é de alguns meses, e então, mudar para o próximo estágio de tratamento com profissional especializado.

Nos casos de stress, o paciente pode estender o uso e utilizar o aparelho como preventivo (antes das crises) ou paliativo (durante as crises), mas nunca durante um período longo de uso ininterrupto.

 
5. Possíveis dificuldades e suas soluções
 

Com o início da utilização do aparelho, algumas situações podem ser observadas e você deve estar preparado para se antecipar a elas. Informe os pais e pacientes antes que elas ocorram.

As seguintes questões podem ser trazidas:

 
5.1 - O aparelho cai da boca durante a noite
 

Este comportamento já é esperado e comprova que a língua está ativamente empurrando o aparelho. Se o aparelho não estivesse na boca, a língua estaria empurrando os dentes. Desta forma, o uso diurno é fundamental no início do tratamento, pois acostuma o paciente a utilizá-lo durante toda a noite.

Comunique antecipadamente aos pais que iso poderá acontecer. Se não acontecer, ótimo, mas se acontecer, tudo bem, faz parte do tratamento. Oriente o paciente e os pais a sempre recolocarem o aparelho quando detectarem que este caiu da boca. Também devem aumentar o número de horas de uso durante o dia até que o paciente consiga dormir a noite toda com o aparelho na boca.

Este comportamento deve cessar em um prazo de 30 dias se o aparelho for utilizado corretamente.

Um detalhe: observe se o paciente tem alguma obstrução nasal que está impedindo-o de manter o aparelho na boca. A obstrução nasal é uma das contra-indicações do Sistema Trainer.

 
5.2 - O aparelho incomoda ou machuca em algum local
 

Mesmo os Trainers de silicone e poliuretano, que não são moldáveis, podem ser adaptados de forma fácil. Você pode cortar ou desgastar o aparelho em regiões que estejam criando atrito com a gengiva.

As características estruturais do aparelho não deverão ser alteradas, de forma que sua funcionalidade e resistência não sejam modificadas.

Você pode cortar parcialmente o anteparo lingual, a placa oclusal na região distal, aprofundar o suporte lingual, entre outros. Maiores informações de como realizar estes ajustes podem ser obtidas no Manual do Trainer T4K.

 
5.3 - Os dentes apresentam algum tipo de sensibilidade, principalmente de manhã ao acordar
 

Os Trainers possuem características de design que provocam a orientação dentária.

O arco labial exerce uma leve pressão sobre os dentes desalinhados para incentivar o desenvolvimento destes para o posicionamento correto. Ao isolar as forças musculares indesejadas (interposição lingual, deglutição atípica, respiração bucal), o Trainer permite que os dentes se desenvolvam sem interferências externas negativas.

Por outro lado, o canal dentário direciona o crescimento para o alinhamento correto. Dentes já desalinhados sofrerão uma leve pressão para que sejam movimentados para a posição correta. Esta é a causa do desconforto observado, que varia de paciente para paciente, de acordo com o grau de sensibilidade, a severidade do caso e o modelo de aparelho que está em uso.

A sensação de que não sabe onde vai morder também poderá ser observada em alguns casos. Isso acontece porque, durante a noite, o Trainer, junto com a língua e outros dispositivos, realiza o desenvolvimento transversal e mantêm a posição topo-a-topo. De manhã, ao retirar o aparelho, por ter ficado em topo-a-topo durante toda a noite, o organismo estimula um movimento sagital seqüencial antero-posterior. Este estímulo é que causa a movimentação sagital ao acordar, fundamental para desenvolver e corrigir o avanço mandibular.

O aumento da salivação, também relatado em algumas ocasiões, acontece porque a boca entende que há um corpo estranho dentro dela e começa a produzir saliva para destruí-lo. Por isso, indicamos a troca do aparelho no máximo após 6 meses de uso.

Alguns minutos ou horas depois de acordar estas sensações cessam.

 
5.4 - A dor na ATM aumentou ao invés de diminuir
 

Em alguns casos, onde a D/ATM é muito severa, qualquer alteração que se faça trará a sensação de que a situação piorou ao invés de melhorar. Assim, um paciente nestas condições, ao colocar pela primeira vez o Aparelho TMJ na boca terá a sensibilidade aumentada. Apesar de não parecer, isto é normal e explicável pelo grau de inflamação na qual se encontra a articulação.

Nesses casos, sugere-se que o paciente comece utilizando o Aparelho TMJ o mínimo de tempo diariamente, aumentando gradualmente conforme se sentir confortável. Para facilitar o uso, a indicação de analgésicos pode ser recomendada.

Observe que, ao passar alguns dias ou semanas, a situação não será a mesma. Tendo o paciente suportado esta fase inicial, terá uma melhoria contínua em sua sintomatologia.

 
5.5 - O paciente retorna ao consultório alguns dias depois com o aparelho “mastigado”
 

Algumas crianças na dentição mista têm uma tendência a mastigar e morder o T4K. Apesar das instruções ao paciente informarem para evitar que morda, muitos continuam fazendo, danificando o Trainer. Crianças com maior idade não apresentam este problema.

O Trainer T4K Fase 1 (macio – azul ou verde) é feito de um silicone médico. Este material é reconhecido pela sua biocompatibilidade e excelente cooperação do paciente. Apesar de ser resistente e flexível, pode eventualmente rachar se for fortemente mastigado.

Se o aparelho foi danificado após curto período de uso, possivelmente foi devido a um destes dois motivos:

  • Falta de interesse do paciente – ele não quer usar o aparelho (não está motivado, não quer fazer nenhum tratamento, “birra” com os pais...) e morde o aparelho até destruir como forma de vingança.
  • Bruxismo - você deve estar atento para diagnosticar o bruxismo na primeira consulta e indicar o aparelho correto ao tratamento.
Minimize este acontecimento instruindo o paciente a não mastigar o Trainer. Essa informação também está nas caixas e cartões de instruções, e no seu manual. Assegure-se de que a criança leia o cartão no momento da adaptação e não use o Trainer Fase 1 em uma criança com indícios de bruxismo.
 

Como proceder então?

 

Você precisa considerar o tempo de uso do Trainer quando os primeiros problemas de mastigação ou rachas começam a aparecer.

Não é incomum, com o uso diário regular e ação da saliva, aparecer sinais de rachaduras. Nesses casos, você pode instalar e cobrar por outro T4K Fase 1 (macio), ou progredir para o T4K Fase 2 (rígido - vermelho ou transparente), novamente com a cobrança adequada. Se os dentes continuam desalinhados, é melhor continuar com o T4K Fase 1.

Se você notar qualquer danificação no aparelho em menos de três meses, torna-se aconselhável (embora não ideal) adaptar o T4K Fase 2, o T4A Fase 1 ou o Myobrace Starter (veja como escolher o modelo ideal nas instruções abaixo). Isto é opcional em diversos casos, mas fundamental nos casos de bruxismo.

Durante a fase de transição, sugere-se começar com a utilização do aparelho mais rígido somente durante o dia. Após um período de transição de 1-2 semanas, passa-se a utilizar o aparelho mais rígido também durante a noite.

 
5.6 - O paciente que tem bruxismo
 
a) E está na dentição mista:
Indicamos o T4K Fase 2, o T4A Fase 1 ou o Myobrace Starter. Como escolher?
  • O T4K Fase 2 não tem orifícios para respiração bucal por isso não é indicado para respiradores bucais como início do tratamento. O T4A Fase 1 seria o indicado neste caso, sendo que se deve diminuir o comprimento cortando na distal.
  • O Myobrace é uma opção por ser mais resistente e desestimular, mas ainda permitir, a respiração oral. O T4A Fase 1 exige menor esforço do que o Myobrace Starter 1. Porém o Myobrace Starter tem um ação maior na expansão do arco.

b) E está na dentição permanente e não usa braquetes:
Indicamos o T4A Fase 1, o TMJ ou o T4U. Como escolher? Depende do objetivo final do tratamento.

  • Se quiser fazer alinhamento junto, use o T4A Fase 1.
  • Se o bruxismo é leve, use o TMJ.
  • Se o bruxismo é moderado ou forte, use o T4U.

c) E está na dentição permanente e usa braquetes:
Indicamos o T4B ou o T4CII. Como escolher?

  • Se a Classe II for leve a moderada, use o T4B.
  • Se a Classe II for severa, use o T4CII.
 
 
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